Nas viagens semanais que me separam de vários braços da família, este é um dos temas ao qual dedico parte das minhas horas de estrada, e que já consegui impingir à minha companheira e amiga de longo curso. A minha Filha!
Coitada, tão jovem e comigo a mexer na "Arca do Folar"!
É que nestas mexidelas, bem lá no fundo, recordo as rugas da minha Avó, e aqueles objectos que guardo com tanto carinho como relíquias... como um gancho e uma travessa de cabelo, uma carteira, um lenço da mão do meu avô que não conheci. Aliás, não conheci nenhum dos meus Avôs!
E mais, as Filhós de centeio sem fermento (pareciam bolachas!), as sopas de Broa com café de borra (tão bom!!!!), as Sardinhas assadas no borralho em cima de uma fatia de broa, a acompanhar com uma caneca do tal café de borra feito ao lume, e ainda a Sopa de Abóbora que eu deitava ao gato cego, que a horas certas circundava a janela da cozinha, enquanto Eu enganava a minha Avó, dava uma de menina bonita e dizia: "Vó, está na hora de ir acender a lamparina às Alminhas...", de seguida, toma lá Gato!
Para quem não sabe, as Alminhas, são pequenas Capelas, onde o povo poderia orar aos Santos devotos de quem as construia!
Hoje, já não há quem vá rezar às Alminhas,
e que me faça sopa de abóbora por passar, para não gastar electricidade,
e com quem veja os "Novos Horizontes" com o Prof. José Hermano Saraiva,
e os concursos de Patinagem Artísitca, sempre ás escuras para não se gastar mais electricidade!
Pois é, mas foram estas algumas das passagens mais importantes da minha infância, as quais recordo com a sensação de que fui uma privilegiada.
O Gato também morreu, e com ele muitos episódios que já não me recordo.
Lembro-me também de fazer sandes de manteiga de pão fresco, e açúcar, e vinho do pipo, que permitiam umas belas sestas com o meu primo Lico! EH EH, gandas malucos, e para não falar de quando faziam a aguardente, irmos à sucapa aceitar com a ponta da língua uns pinguitos que iam caindo!!!
E a minha Avó dizia: "Filhas, os meninos tão muito calados. Estas filhas só conversam e deixam os miudos por aí"...que chatice Vó, estavamos tão bem! E as mães a matarem saudades!!! Que cool.
Pois é, neste entretanto já fiquei com mais rugas, mas não faz mal! Fico feliz por ter recordações que me deixam bem disposta. São elas que potenciam o desejo do melhor à minha Cria. Gostaria que as Nossas Crianças, com a minha idade pudessem recordar os momentos da infância com o mesmo sentimento que tenho!
Por estes momentos, ouço Mafalda Veiga e penso ser a melhor homenagem á minha Avó.
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